A medicina preventiva precisa estar dentro das empresas

A prevenção como disciplina é relativamente jovem no contexto da medicina moderna. Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), uma das universidades públicas de maior prestígio na área, ela foi fundada em 1965. O modelo de assistência centrado em hospitais no âmbito privado e o papel preponderante da rede pública no cuidado primário e secundário contribuíram para o relativo insucesso da atenção médica preventiva dentro das empresas em geral.

Do ano de 1998 para cá, quando o formato atual dos planos de saúde se desenhou, o cuidado preventivo passou inicialmente por um longo período de desconfiança para só recentemente entrar na pauta de ações dos principais players do mercado. As controvérsias sobre o tema também colaboraram com tal cenário.

Quando o tema vem à tona, é comum as pessoas imaginarem o direcionamento de recursos para a detecção e tratamento de doenças a um custo mais baixo a fim de aumentar a expectativa de vida. Entretanto, isso nem sempre é verdadeiro sob o aspecto econômico, o que prejudica e posterga a tomada de decisão.

Contudo, a prevenção eleva significativamente a qualidade e a expectativa de vida da população, levando as empresas ao desafio de equilibrar os dois fatores em seus planos estratégicos. E esta não é tarefa das mais simples.

Algumas questões se fazem presentes na cabeça do empresário e do gestor nesse momento. Muitos ainda se questionam se devem investir na prevenção ou no tratamento de doenças, se faz sentido estimular os funcionários a fazerem mais exames o que pode aumentar o absenteísmo – e quais serão os custos.

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Para ajudar a responder, vale destacar o papel da tecnologia ao longo dos últimos anos. O sistema médico agregou o termo preditivo em seu rol de ações e passou a aceitar o uso de ferramentas de inteligência artificial, machine learning e até mapeamentos epidemiológicos para ajudar a responder às perguntas acima com mais precisão a partir de evidências.

Nesse sentido, ao direcionar os recursos para a prevenção de forma estratégica, as empresas têm como retorno a redução de faltas, funcionários mais saudáveis e produtivos, sem falar em reajustes menores nos planos – que também dependem do uso do serviço e das características dos colaboradores.

Por outro lado, para o indivíduo, que não sofre com o viés financeiro da decisão, a atenção na questão preventiva é sempre bem-vinda, uma vez que dá a oportunidade de identificar e tratar problemas mais graves de forma antecipada. Além disso, tal olhar aumenta as chances de melhora no desempenho profissional por conta de uma vida com mais equilíbrio.

Adicionalmente, a percepção de valor é significativamente maior nos indivíduos que atualmente são cuidados rotineiramente em comparação com aqueles que recebem apenas assistência quando adoecem.

Por fim, seja qual for a solução encontrada, é preciso que gestores e empresários busquem soluções fora da caixa. Hoje existem ferramentas no mercado capazes de indicar o melhor caminho e que ajudam a trazer resultados positivos tanto para as companhias quanto para seus colaboradores. É preciso pensar nisso!

* Mauro Silva Jr. é médico, mestre em Administração de Hospitais e Sistemas de Saúde pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e CEO da healthtech Truvio