O que se passa na cabeça do casal após uma brochada?

É natural existir algum receio de falhar na hora do sexo, sobretudo depois que isso acontece algumas vezes. E, não raro, esse temor acaba virando uma bola de neve, que mexe com o estado emocional do homem e até do casal.

Existe uma explicação científica para essa bola de neve: quando estamos com medo, nosso cérebro liga um modo de alerta, liberando adrenalina. O que pouca gente sabe é que o efeito dessa substância no sexo masculino é justamente cortar a ereção. Ou seja, quanto mais ficamos preocupados em falhar na hora agá, maior o risco de isso realmente acontecer.

Mas e depois de ter falhado, o que se passa na cabeça do homem e da parceira ou parceiro que está com ele? Uma pesquisa recente, realizada pelo Datafolha, nos ajuda a entender a reação psicológica dos envolvidos em uma brochada.

Como era de se esperar, as reações variam de acordo com a idade. Entre os mais jovens, de 18 a 35 anos, quase metade (47%) relata vergonha, o sentimento mais lembrado. Já entre os maiores de 50 anos, apenas 23% contaram ter essa reação depois de brochar. Esse comportamento é compreensível, já que a maturidade leva a encarar a situação com mais naturalidade — e a própria expectativa é menos inflada.

Da mesma forma, enquanto 25% dos mais jovens expressaram raiva, apenas 7% dos mais velhos compartilharam esse sentimento. Por outro lado, algumas coisas não mudam tanto com a idade. Por exemplo, os sentimentos de decepção e insegurança se mantiveram próximos de 40% em todas as faixas etárias.

As respostas também variam de acordo com a orientação sexual: enquanto decepção foi o sentimento mais lembrado por heterossexuais, entre os homossexuais a sensação que predominou foi a insegurança.

E como ficam as parceiras ou parceiros? De novo vimos diferenças entre as idades. Entre as parceiras dos homens mais velhos, foram mais comuns posturas compreensivas como amenizar o problema (43%) ou sugerir procurar ajuda (15%), em comparação com as parceiras dos mais jovens, que tiveram essa postura de amenizar em menos de um terço das vezes ou de sugerir procurar ajuda em apenas 7% das ocasiões.

Os mais jovens também tiveram de encarar reações da parceira como decepção em 12% das vezes ou até ironia em 11%, bem mais que os maduros, que depararam com esses tipos de reação em apenas 5% e 7%, respectivamente.

As reações dos parceiros em relações homoafetivas foram semelhantes em diversos aspectos: a porcentagem de parceiros que amenizaram a situação ficou ao redor de 30% em ambos grupos, e outros 20% quiseram conversar sobre o assunto. Uma diferença curiosa foi a ironia, que foi relatada por 18% dos homossexuais ante 7% dos heterossexuais. Esse dado revela uma descontração que se expressa com mais frequência em relações homoafetivas.

De fato, um turbilhão de emoções afeta o homem (ou o casal) depois de uma falha sexual. É importante contar com uma postura compreensiva da parceira ou parceiro e buscar ajuda profissional para evitar o início de um círculo vicioso. Até porque, felizmente, existem tratamentos para cortar esse círculo.

* João Brunhara é urologista, médico do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, e consultor científico da Omens, plataforma que trata problemas de saúde sexual masculina